12/05/2014 - 08:54     |
Bovinocultura passa por momento de tensão no País
Fonte: Folha Web
Em um momento que a bovinocultura paranaense vive uma movimentação positiva – com preços da arroba atrativos e incremento na exportação – a suspeita de um caso atípico da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como "vaca louca", surgido em meados de março, no Mato Grosso, dá uma certa esfriada no cenário. O Ministério da Agricultura afirmou na sexta-feira (9) à noite que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) confirmou o caso de Mato Grosso como "atípico". Apesar do resultado, a possibilidade ínfima de se tratar do caso mais grave (clássico) acabou causando pequenos estragos na comercialização dos animais de todo o País. Peru e Egito, por exemplo, foram os primeiros países a impor um embargo de 180 dias à carne bovina procedente do Brasil. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretária de Agricultura, o rebanho de bovinos do Paraná possui em torno de 9,4 milhões de cabeças, 4,4% de todo o território o nacional. Os dados são de 2012. Esse é o segundo caso que trata da EEB no País nos últimos cinco anos. No final de 2012, o Paraná passou por situação bem similar, quando foi confirmado que uma vaca morta em dezembro de 2010, em Sertanópolis, portava a proteína (príon) alterada causadora da patologia. Na época, contêineres com carne nacional foram barradas em portos internacionais. Se a especulação de mercado é grande em cima do tema, a verdade é que se trata de um alerta possivelmente exagerado. A vaca sacrificada no Mato Grosso tinha 12 anos e, segundo especialistas, o caso atípico da EEB ocorre primordialmente em animais mais velhos. Ou seja: não ocorre pela ingestão de ração de proteína animal contaminada. "O Brasil já proibiu o uso dessas farinhas para alimentação de ruminantes - que continham carne, sangue e osso - há mais de dez anos. O caso grave acontece quando esse tipo de ração está contaminada, como ocorreu na Inglaterra quando 280 mil animais ficaram doentes", relembra o professor de virologia do departamento de medicina veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alcindo Alfieri. O caso da Inglaterra aconteceu no início da década de 1990. O especialista comenta que assim como existem doenças parasitárias, bacteriosas, viroses, entre outras, hoje também já são conhecidas as doenças ocasionadas por proteínas transformadas, como acontece na EEB. "Animais e seres humanos possuem príons. É uma proteína que nossa célula precisa e nós mesmos codificamos. No caso da EEB atípica, ela pode se tornar patogênica por uma mutação espontânea. Isso ocorre em animais e indivíduos mais velhos", decreta o professor. Outra evidência bem forte, segundo o especialista, e que demonstra que realmente se trata de um caso atípico da "vaca louca", é que 49 animais criados juntamente com a vaca sacrificada, os chamados "coorte" (nascidos um ano antes e um ano depois do surgimento do caso), foram examinados sem constatação quaisquer de alterações clínicas. Amostras de tecido nervoso desses animais foram submetidas ao teste para EEB e resultaram todas negativas no dia 30 de abril. "Como a forma mais grave é transmitida pela alimentação, haveria uma grande probabilidade de encontrar a doença nesses outros animais, o que não aconteceu", complementa Alfieri. Vale lembrar que a EEB clássica pode ser transmitida aos seres humanos que ingerirem a carne do animal doente: é uma nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJDv). No caso da EEB atípica, o leite e a carne produzida não apresentam risco de transmissão, de acordo com a OIE.
 
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