28/01/2013 - 11:29     |
Estudo aponta benefícios da biotecnologia no campo
Fonte: A Gazeta
Criação de novas variedades transgênicas, com maior produtividade e redução nos custos de produção, gerou um lucro adicional de 14,5 bilhões de dólares aos produtores brasileiros nas últimas safras. Foi o que apontou um estudo realizado pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). Há 6 anos, pesquisadores percorrem lavouras em todo o país para ouvir dos agricultores o que mudou com a adoção de biotecnologias em suas propriedades. Anderson Galvão, que é sócio diretor da Céleres, empresa responsável pelo estudo, destaca que a área plantada de soja, milho e algodão geneticamente modificados cresceu em todo o país, confirmando a preferência pelos novos produtos. Em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, 89% da cultura é transgênica. Em todo o país, ela ocupa quase 24 milhões de hectares. Nos próximos 10 anos, a previsão é que a produção atinja 31,5 milhões de hectares, 95% do total da área cultivada. Ocupando um espaço bem menor nas propriedades mato-grossenses, o algodão cresce em um ritmo mais lento. O desenvolvimento de sementes transgênicas começou em 2004/05 e hoje elas ocupam 50% das lavouras. Segundo o Galvão, a preferência pelo algodão convencional ainda é expressiva porque ainda não foi desenvolvida uma variedade resistente ao bicudo, principal praga que ataca as plantações brasileiras. Outro fator é a pequena demanda na indústria, que acaba não investindo no desenvolvimento de novas biotecnologias voltadas ao produtor do Brasil. Cenário bem diferente constatado nas últimas safras de milho. O expressivo crescimento de áreas cultivadas com sementes transgênicas revelam um salto na rentabilidade do agricultor. Desde a safra 2008/09, quando foram lançadas as primeiras variedades de sementes modificadas, o uso de biotecnologia só cresceu. Hoje está em 90% das lavouras mato-grossenses. A previsão é que, até a safra de 2021/22,o cultivo chegue a 15,4 milhões de hectares em todo o país. Galvão afirma que o aumento da produtividade é o maior responsável pela preferência por transgênicos. Desde a safra 97/98, representou 58% dos ganhos extras na lavoura. Outros 30% foram obtidos com a redução nos custos devido a resistência a pragas e doenças e, consequentemente, menor uso de agrotóxicos e adubo. Esta rentabilidade é explicada pelo empresário em uma conta simples. “Para cada 1 real que o produtor gastar a mais na compra da semente transgênica, ele vai ganhar 3 reais, ou seja, paga o 1 real investido e tem um lucro adicional de 2 reais”. Nas próximas 10 safras, a previsão é que produtores de soja, milho e algodão tenham um incremente de 120 bilhões de dólares no lucro em suas propriedades. A conta é feita com a estimativa de aumento de área e, principalmente, de produtividade para atender a demanda de países emergentes. No caso do milho, considerado a “bola da vez”, estima-se que a produção global cresça 21,5%. Galvão lembra que, além dos agricultores e a indústria, que também teve um incremento de 19% em seu lucro, os benefícios indiretos com o uso da biotecnologia também contemplam o consumidor. Isso porque o excedente das commodities garante o abastecimento da indústria de alimentação animal, contribuindo com a manutenção dos preços da ração e, consequentemente, das carnes consumidas no prato do brasileiro. Meio Ambiente: No estudo, que ouve 380 agricultores, grande parte deles em Mato Grosso, também são avaliados os impactos e benefícios da biotecnologia no meio ambiente. Anderson Galvão explica que, com a redução no uso de fertilizantes, também há um consumo menor de água, combustível e emissão de gás carbono. Com isso, os passivos ambientais são menores. O ganho de produtividade também desacelera o processo de abertura de novas áreas. “Se utilizarmos sementes convencionais, a área cultivada para atender a demanda terá que ser maior, logo teremos que abrir novas áreas. A medida que a biotecnologia em conjunto com demais práticas agrícolas possibilitarem taxas mais expressivas de produtividade, teremos uma menor necessidade de expansão física da área semeada e, consequentemente, auxiliar na solução de grande problema na conservação de matas nativas”. Viabilidade: Desde que a pesquisa de biotecnologias foi autorizada e regulamentada no Brasil, em 2005, o setor agrícola ganhou competitividade no mercado. Tanto pequenos quanto médios e grandes produtores passaram a ter maior rentabilidade em suas lavouras. O presidente Narciso Barison afirma que, em 6 edições, o estudo comprova que investir em biotecnologia é bom para o agricultor. “É ainda mais importante quando pensamos em manter a competitividade da produção agrícola nacional, num momento onde as expectativas sobre demanda crescente por alimentos no mundo tomam conta da discussão internacional”. Hoje, os maiores produtores de grãos do mundo utilizam transgênicos. O Brasil é o segundo maior consumidor de biotecnologias. Estados Unidos está em primeiro e Argentina em terceiro.
 
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