11/01/2013 - 10:11     |
Embrapa avalia pecuária leiteira na iLPF em Mato Grosso
Fonte: Assessoria Embrapa
O desempenho dos animais e a produção de leite na integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) são algumas das características que serão analisadas por pesquisadores em experimento instalado na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT). O trabalho teve início em 2011, com o plantio das espécies florestais e da primeira safra agrícola. Agora, dois anos depois, o ensaio já conta com os primeiros animais. A iLPF é uma estratégia de produção em que se associam em uma mesma área os componentes agrícola, animal e espécies florestais, de maneira sucessiva ou alternada. Segundo os especialistas, esta é uma forma de produção sustentável, uma vez que em um mesmo espaço pode se produzir grãos, fibras, carne, leite, madeira e frutos. “A iLPF tem grandes vantagens em relação às culturas solteiras por questões técnicas, como a rotação de culturas. Isto proporciona melhor ciclagem de nutrientes, melhoria nas características químicas e físicas do solo, controle de doenças, conforto animal, entre outras questões como o aspecto econômico. Como você tem diferentes fontes de renda, você tem menor vulnerabilidade, proporcionando maior segurança em relação às flutuações de preços”, explica o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agrossilvipastoril, Austeclínio Farias. iLPF na pecuária leiteira No experimento da Embrapa Agrossilvipastoril que avalia a iLPF na produção leiteira, foram feitos três diferentes cenários. Em um deles os animais ficam o tempo todo em pasto sem sombreamento. Em outro, árvores plantadas nas bordas dos piquetes garantem sombra parcial. Já no terceiro arranjo, foram plantadas fileiras triplas de árvores a cada 15 metros, gerando sombra em meio à pastagem. Segundo a pesquisadora Roberta Carnevalli, as árvores vão proporcionar conforto térmico aos animais que terão sombra disponível. A expectativa é de que isto resulte em maior produtividade quando comparados aos animais que estarão expostos ao sol durante todo o dia, sobretudo devido ao forte calor mato-grossense. “Esperamos uma diferença no desempenho dos animais em função da disponibilidade de sombra. Quanto mais sombra o animal tiver, melhor o conforto e melhor o desempenho. A grande dúvida é se a quantidade de sombra só nas laterais já é o suficiente para garantir o máximo desempenho naquela condição ou se seria mesmo necessário maior quantidade de sombra”, explica a pesquisadora. Neste primeiro momento, estão sendo avaliadas novilhas mestiças de holandês com gir, com grau de sangue ¾ e 7/8. Componente florestal A integração lavoura-pecuária-floresta permite utilizar uma série de espécies florestais, sejam elas nativas ou exóticas, madeireiras ou não madeireiras. Neste experimento da Embrapa Agrossilvipastoril foram utilizados eucalipto e castanheira, sendo que uma muda de castanheira foi plantada a cada 14 metros, em meio às linhas de eucalipto. Segundo Roberta Carnevalli, a escolha do eucalipto foi em função do maior conhecimento sobre as características da planta e devido ao seu rápido crescimento. “A decisão é em função da quantidade de conhecimento que já se tem e da velocidade de crescimento das árvores. Em um ano e meio, dois anos, já estamos avaliando efeito de sombreamento. Além disso, é uma madeira que o pequeno produtor pode usar na fazenda para fazer curral, uma cerca ou mesmo comercializar.”, afirma. Já a castanheira está sendo experimentada como possível fonte extra de renda para pequenos produtores que adotem a iLPF, uma vez que poderão coletar a castanha-do-brasil. Além disso, a árvore manteria o sombreamento para os animais após o corte do eucalipto. Rotação da área O experimento com iLPF para gado de leite da Embrapa Agrossilvipastoril tem 40 hectares, divididos em quatro quadrantes de 10 hectares. Em cada um deles foram aplicados os três sistemas, com área sem sombreamento, com sombreamento nas bordas e fileiras triplas no meio. O objetivo é que, ao longo de quatro anos, cada quadrante passe dois anos com pastagem e dois anos com lavoura. Neste trabalho, tenta-se simular as condições de uma propriedade leiteira, onde a lavoura é utilizada principalmente em prol da alimentação dos animais. Assim, planta-se milho para a produção de silagem e o feijão-caupi. “Para fechar o sistema e melhorar a disponibilidade de nitrogênio no solo, precisávamos inserir uma leguminosa. O feijão-caupi tem uma flexibilidade de uso que é importante para uma propriedade de leite, que geralmente não tem escala e tecnologia que viabilizem o plantio da soja. Com o feijão-caupi, o produtor pode usá-lo na alimentação de sua família, pode vendê-lo, pode alimentar os animais com os grãos e ainda pode por os animais para pastejar, caso tenha algum problema de falta de pastagem”, explica a pesquisadora Roberta Carnevalli. Desta forma, uma parcela do experimento terá no primeiro ano milho consorciado com braquiária ruzizienses na safra e feijão-caupi na safrinha. No segundo ano, planta-se milho consorciado com braquiária Piatã, colhendo-se o milho em grão e formando-se a pastagem para os dois anos seguintes. Esta pastagem receberá as novilhas em crescimento no terceiro ano do sistema e as vacas em lactação no quarto ano. A partir do quinto ano o ciclo é reiniciado. Sendo assim, há uma rotação em que sempre dois quadrantes estarão ocupados pela agricultura e dois pelas plantas forrageiras. “Com a rotação, você melhora o desempenho do sistema. Cada planta terá seu papel em termos de melhorar a estrutura do solo e melhorar a fertilidade. Uma fixa nitrogênio, outra aprofunda as raízes, outra gera matéria orgânica, etc.. Cada planta tem a sua função para melhorar e, no fim das contas, otimizar a produção de cada uma delas”, explica Carnevalli. Avaliações Além da produção de leite, o experimento de integração lavoura-pecuária-floresta possibilitará uma série de outras pesquisas desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar. Estão sendo avaliados a dinâmica de carbono e de água, as características físico-químicas e a microbiologia do solo; indicadores de sustentabilidade, emissão de gases de efeito estufa e microclima; desempenho da lavoura, das plantas forrageiras e das espécies florestais; manejo de pragas e doenças; além do aspecto econômico do sistema integrado de produção. De acordo com o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agrossilvipastoril, Austeclínio Farias, a expectativa é que deste experimento sejam gerados resultados científicos ao longo dos próximos 15 anos. “Tem resultados que sairão em curto prazo. Esta questão do conforto animal, por exemplo, esperamos logo nas primeiras lactações já ter dados sobre a influência do sombreamento na produção. Agora, existem outros resultados, por exemplo, a parte física e química do solo, quantidade de matéria orgânica e emissões de gases de efeito estufa que, até pela natureza dos temas, você precisa de um tempo maior. Saber quando nós teremos estes resultados é um dos objetivos do estudo”, afirma.
 
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