19/01/2012 - 12:33     |
Número de animais confinados em MT cresceu 29%
Fonte: Agronoticias
Com a morte de pastagens registradas no ano passado, que gerou um déficit estadual de mais de R$ 3 milhões, Mato Grosso pode se tornar o Estado com o maior número de rebanho em confinamento. De acordo com o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, o título só vai depender das conjunturas econômicas e políticas públicas que incentivarem a atividade. "Esta transformação vai ser muito boa, pois o confinamento é uma nova ferramenta tecnológica que não pode ser descartada. Graças a qualidade do nosso rebanho, que é o maior do Brasil, podemos sim alterar a forma de criação de gado”, disse. Das 29 milhões, 740 mil cabeças de gado estão confinadas. Em 2011, o número passou de 592 para 740 mil, um acréscimo de 29% no ano. Este sistema, conforme Vacari, foi uma das saídas encontradas pelo pecuaristas diante do comprometimento de 2,2 milhões de hectares de pastagens – que morreram com a seca e com ataque de pragas. A área corresponde 8,7% dos 26 milhões de hectares de pastagens cultivadas no Estado. Quanto à recuperação das pastagens, a Acrimat defende que o Governo Federal deve criar políticas que dão apoio a categoria. “O pecuarista não consegue fazer sozinho, as taxas de juros são muito altas e precisamos de incentivo”. Desde o ano passado a associação vem articulando junto com o governo a alteração da linha de crédito para recuperação das pastagens. Até agora, os pecuaristas já conseguiram estender de oito para 12 anos o prazo para quitar o financiamento, mas a taxa de juro que hoje é 8,75% ao ano, passe para 4%. Apesar do alto índice de morte de pastagens, o superintendente resumiu o ano como estável. “Poderia ter sido tanto melhor quanto pior, pois não tivemos oscilações nos preços da arroba”, apontou. No ano passado o preço médio pago pela arroba foi de R$ 88,94, R$ 11,80 a mais que em 2010. Um aumento que foi sustentado pelos novos compradores da carne mato-grossense, ainda mais depois que a Rússia embargou a compra da carne bovina brasileira, em junho do ano passado. “Nós tivemos que buscar novos importadores, agir por contra própria e só por isto conseguimos sobreviver e manter o cenário estável, sem grandes quedas”, destacou Vacari. Na época, a Rússia alegou problemas técnicos, e por isto deixou de comprar o produto nacional. Até agora, o Ministério das Relações Exteriores, responsável por este tipo de negociação, não conseguiu reverter a situação, deixando os pecuaristas numa saia justa. Mas, países como Venezuela, China, e continentes como Oriente Médio e Europa expandiram as compras, mas mesmo assim o setor fechou o ano com baixa de 11% na exportação de produtos estaduais. “O Governo Federal tem que resolver esta questão, já são sete meses que os pecuaristas aguardam uma resposta”, criticou o superintende. Finalizado o ano, a expectativa da Acrimat agora é derrubar o embargo russo, e fortalecer alianças com a Venezuela e principalmente com o Oriente Médio. “Vai ser um ano bom, mas, como todo mercado, vamos dependente da demanda externa e da oferta equilibrada. Quem deve ditar as regras será a balança externa, e esperamos um incremento nas vendas e melhores preços”. ARROBA O levantamento demonstra que em 2003 o preço da arroba em outubro foi 18,1% superior a de maio, em 2006 foi registrada a maior diferença com 23,1%, e em 2010 foi de 18,4% segundo levantamento do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). “Abatemos mais boi na entressafra do que na safra em 2011, o que comprova que essa é uma tendência de mercado e que o produtor está investindo em confinamento e semiconfinamento. E isso tornou o ano de 2011 muito estável”, explicou Vacari. No ano passado, o número de animais confinados em Mato Grosso cresceu 29% em relação a 2010. Trata-se de um grande salto, que só vem reforçar uma tendência. Nos últimos seis anos, o crescimento atingiu os 548%. Comparando o preço da arroba do boi gordo entre 2010 e 2011 a variação foi de 15,3%. Em 2011 o pecuarista mostrou que está produzindo mais em menos. O abate de bovinos até 24 meses cresceu 40%, consequência de investimento em tecnologia. O abate de animais de 24 a 36 meses cresceu 7,74% e acima de 36 meses 13,15%. De janeiro a novembro de 2011 foram abatidos 4,4 milhões de cabeças, um acréscimo de 11,53% em relação ao mesmo período de 2010. Enquanto isso, apenas 52,68% da capacidade industrial instalada em Mato Grosso foi utilizado. Das 42 plantas SIF registradas no Estado, 15 estão paradas em decorrência dos processos de recuperação judiciais iniciados em 2008. “O retorno de abate dos frigoríficos fechados é uma necessidade iminente para Mato Grosso e sem dúvida esse será um dos grandes desafios do setor”, ponderou o superintendente.
 
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