04/11/2011 - 11:56     |
Queda do dólar freia negociação da soja
Fonte: Autor: Correio do Povo
Com a queda de praticamente 8% na cotação do dólar, de R$ 1,90 para R$ 1,74 nos últimos 30 dias, o mercado interno sente a desvalorização internacional da soja em curso nos últimos meses. Os preços domésticos ainda são considerados remuneradores, mas os produtores podem ter um faturamento inferior ao previsto para o pico das vendas, que no Rio Grande do Sul ocorre a partir de março de 2012. Diante da crise que afeta o consumo em países da Europa e dos Estados Unidos e da freada da evolução das importações da China, a soja perde demanda e registra queda de preço. Em outubro, a oleaginosa amargou baixa de 9,17% na Bolsa de Chicago em relação ao mês anterior.

Segundo o consultor Carlos Cogo, a consolidação da colheita norte-americana e as perspectivas de uma safra sem interferências negativas do clima na Argentina, Paraguai e Brasil contribuem para o cenário desfavorável de preço. O especialista lembra que o bushel caiu de 14 dólares para cerca de 12 dólares desde agosto. Neste contexto, os produtores que venderam parte da produção antecipadamente conseguiram melhores preços, ao redor de R$ 48,00 pela saca de 60 quilos. Segundo o analista sênior de Safras & Mercado, Flávio França Júnior, a venda no mercado futuro chegou a 31% da safra 2011/12 até 28 de outubro contra a média do período, de 22%. Mas, desde a metade do mês passado, perdeu força, com evolução de apenas um ponto percentual. A nova safra brasileira é estimada em 73 milhões de toneladas.

Conforme a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), após a alta negociação antecipada da nova safra, a queda do dólar tende a acentuar a tradicional entressafra de negócios entre o plantio e a colheita de verão. Boa parte desses negócios refere-se a contratos de troca, em que o produtor se compromete a entregar parte da colheita em troca de insumos, a um preço prefixado, reduzindo custos. Neste momento, os negócios estão parados e devem ficar assim pelo menos até dezembro. "O produtor buscou travar negócios para cobrir parte do seu custo de produção e só deve voltar a fazer cálculos e operações comerciais no ano que vem", projeta o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues.


 
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